As 20 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas) registraram desemprego maior em dezembro do ano passado e no acumulado de 2020 do que a média registrada no Estado e no País. Em dezembro, a RMC perdeu 3,1 mil postos de trabalho com carteira assinada e no acumulado de 2020, 5.947 vagas se fecharam.
A realidade do emprego formal é retratada pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia. Os dados foram divulgados quinta-feira (28).
Enquanto a RMC teve um saldo negativo de 0,33% no saldo de empregos em dezembro, o Estado registrou saldo negativo de 0,32% e o país, retração de 0,17%.
A variação percentual do saldo no acumulado de janeiro a dezembro de 2020 ficou negativa em 0,63% na RMC, bem acima da variação de -0,01% do Estado e bem atrás do desemprenho do Brasil, que teve um crescimento de 0,37%.
Em dezembro do ano passado, a RMC registrou saldo negativo de 3,1 mil postos, a diferença entre as 28.908 contratações e as 32.008 demissões. No acumulado do ano, a RMC viu 5.947 vagas de emprego evaporarem (diferença entre 337.586 demissões e as 343.533 demissões).
A economia teve uma reação de junho a novembro, com registro de saldos positivos sucessivos, mas em dezembro as demissões dos contratados temporariamente fizeram o saldo ir ladeira abaixo.
“Os números são desanimadores”, afirma a economista Eliane Rosandiski, professora extensionista do Observatório PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica), que  analisa os dados todos os meses.
Boa parte dos setores que movimentam a economia demitiu em dezembro. O último mês do ano, explica Eliane, é assim mesmo, fecha no negativo, pois vencem os contratos temporários.
“Os empregos temporários do comércio terminam em dezembro. Dessa vez, ao contrário, o comércio ficou positivo e os serviços caíram”, avaliou.
Ao avaliar a região formada por Americana, Santa Bárbara d’Oeste, Nova Odessa, Sumaré e Hortolândia, Eliane diz que a indústria têxtil, que ainda tem um peso muito grande, está se recuperando para atender a sazonalidade do fim de ano.  “Empresas se organizam para atender a demanda de 13º salário. Era movimento esperado”. Mesmo assim, somente o setor têxtil perdeu 317 postos na RMC.
Hortolândia, Indaiatuba e Nova Odessa fecharam com saldo positivo no ano. O mesmo ocorreu com Santa Bárbara e Sumaré. Americana registrou saldo negativo no mês e no acumulado do ano.
Também contribuiu para esses dados a construção civil, analisa o economista Laerte Martins, da Acic (Associação Comercial e Industrial de Campinas).
“De modo geral, na região como um todo, a construção civil eliminou postos de trabalho, o que acabou piorando os números. Estava em atividade mais intensa dos que as outras. Isso modificou a  tendência altamente positiva e passou para eliminação dos postos de trabalho”, explica.
O que ocorreu, diz Martins, foi uma mudança na tendência do saldo positivo. “Mas de uma forma geral eu diria para você que foi uma queda relativamente pequena por se tratar da análise do emprego formal”. E completou: “O emprego não foi excepcional, mas tendo em vista a pandemia, poderia ter sido um buraco muito maior”, explicou o economista da Acic.
Toda a esperança está depositada agora na chegada das vacinas para combater a pandemia. “Se a vacina ajudar, 2021 não vai ser excepcional, mas vai melhorar. Vai ter tendência de recuperação no emprego, tendo em vista o efeito positivo e para a indústria trabalhar melhor”, projeta.

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