Em sua fase “comunista”, nos tempos de resistência à ditadura militar, o astrólogo e autointitulado filósofo Olavo de Carvalho, hoje considerado “guru” do presidente Jair Bolsonaro, frequentou a Casa do Estudante do Centro Acadêmico IV de Agosto, a mais antiga entidade representantiva de estudantes do país.

Moradia de alunos de baixa renda da Faculdade do Largo de São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), e abrigo de reuniões do movimento estudantil contrário ao regime ditatorial, a Casa, localizada na avenida São João, coração da capital paulista, foi berço de muitas ideias defendidas pela resistência ao regime e ponto de efervescência cultural e política contra o golpe de 1964.

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Um de seus moradores à época era o hoje deputado federal Rui Falcão (PT-SP), que presidiu o PT de 2011 a 2017. Formado em Direito pela USP em 1967, Rui conta que Olavo costumava aparecer para conversar na casa e que, algumas vezes, chegou a dormir no local. A partir disso é que, em sua avaliação, surgiram os rumores de que os dois teriam dividido apartamento.

“Há um tanto de exagero nesta informação. Ele não chegou a morar lá”, diz o hoje deputado federal e que foi colega de redação do hoje professor on-line de filosofia no jornal paulistano A Gazeta, diário vespertino fundado em 1906.

“Eu morava na Casa do Estudante e o Olavo de Carvalho era simpatizante do Partido Comunista Brasileiro (antigo PCB). Ele chegou a trabalhar comigo na Gazeta, e ia lá na Casa do Estudante conversar e tal. Uma vez ou outra ele dormiu lá. [Mas] Ele não dividiu apartamento comigo”, conta.

Outro frequentador do local foi o ex-ministro José Dirceu. “Muita gente se encontrava lá e a gente fazia reunião”, conta Rui Falcão.

Falcão conta que teve muito contato com Olavo, tanto na Casa quanto no trabalho no jornal, mas que depois de sair da residência estudantil não mais o encontrou. “Não tive mais contato com ele. Nem quero”, brinca o petista.

Olavo chegou a se filiar ao PCB em 1966, dois anos após o golpe militar. Ele permaneceu no partido até 1968. Já a partir da década de 1970 mudou completamente de lado.

Em uma entrevista, divulgada no seu canal no YouTube, Olavo de Carvalho conta como mudou de ideia. “O primeiro sinal de que aquilo não prestava eu tive já no primeiro mês de participação”, disse ele na conversa.

Fonte: Metropoles

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