Interdição na Rua Barão de Jaguará, entre a Rua Conceição e a Avenida Moraes Salles: galeria passa por reparos e via será liberada na segunda-feira

Matheus Pereira/Especial para a AAN

Interdição na Rua Barão de Jaguará, entre a Rua Conceição e a Avenida Moraes Salles: galeria passa por reparos e via será liberada na segunda-feira


A Prefeitura de Campinas informou que já estão prontos os estudos técnicos para as obras de aprimoramento da macrodrenagem na região das avenidas Orosimbo Maia e Princesa d’Oeste. A intervenção da primeira área está orçada em mais de R$ 300 milhões, enquanto a outra aguarda uma atualização no valor.

Ambas são pontos tradicionais de alagamento no município. Na última quinta-feira, um homem de 41 anos morreu afogado no Jardim Proença, após ser arrastado pela enxurrada, durante a tempestade que atingiu a cidade.

“Essas intervenções demandam grande investimento e a Administração Municipal tem tentado captar os recursos necessários junto aos governos estadual e federal, o que ainda não foi viabilizado em razão da forte crise econômica que atinge o Brasil há pelo menos cinco anos”, diz trecho da nota.

Para amenizar os riscos de inundações em Campinas, a Prefeitura mantém a limpeza e a manutenção dos córregos, inclusive do piscinão da Norte-Sul, no qual desemboca o córrego Serafim.

O reservatório, que tem 90m², passou por desassoreamento em agosto de 2018. A ação permitiu aumentar a capacidade de contenção de água de 130 mil para 270 mil litros, fundamental em períodos de chuva.

Em 2011, o ex-prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, anunciou uma série de obras na Princesa d’Oeste com a promessa de acabar com as enchentes. Pelo menos, R$ 24 milhões foram investidos na macrodrenagem de córregos em obras que já tinham sido concluídas no local entre os anos 2006 e 2008, mas pouco adiantou.

Antônio Carlos Zuffo, professor da faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), especialista em previsão de enchentes, planejamento de recursos hídricos e drenagem urbana, explica que as inundações ocorrem em Campinas, em decorrência da urbanização desordenada que aconteceu na cidade.

“A casa dos nossos avós, geralmente, tinha um jardim na frente, a residência no meio e um pomar no quintal. A quantidade de áreas verdes era maior”, lembra. De acordo com Zuffo, o layout antigo dos imóveis, substituídos ao longo dos anos por prédios – principalmente na região central -, auxiliava na questão, pois possibilitava uma maior infiltração de água. Ao contrário do que ocorre atualmente. “Hoje, praticamente todo o volume de água é jogado no sistema de escoamento”, afirmou.

O crescimento da mancha urbana ‘recheada’ de concreto e asfalto, segundo Zuffo, resulta em uma área impermeável mais suscetível à absorção de energia solar. Isso, implica em chuvas torrenciais na cidade, ao mesmo tempo em que acontecem chuvisqueiros na zona rural, por exemplo.

Ações conjuntas

Zuffo analisa que o custo do metro quadrado em Campinas é elevado. Então, qualquer interferência urbana por parte do poder público, que acarretaria possíveis desapropriações, entre outros, demandaria gastos estratosféricos. No caso, inviabilizando qualquer projeto.

O cenário exige criatividade na procura de soluções mais acessíveis e rápidas, comenta o professor. Dentre as sugestões propostas por Zuffo está uma maior canalização dos córregos do Proença e Serafim, situados nas avenidas Princesa d’Oeste e Orosimbo Maia, respectivamente. Uma ação similar surtiu o efeito desejado no Rio Tamanduateí, em São Paulo.

O especialista, entretanto, orienta que a medida necessita de obras auxiliares para não transferir o problema de lugar. Seria necessária a construção de um ‘piscinão’. O reservatório poderia ser instalado em uma área desocupada entre o Carrefour da Rodovia D. Pedro I (SP-065) até o condomínio Alphaville, indica Zuffo.

Caso essa obra não fosse realizada, a canalização impactaria no Rio Anhumas, e, consequentemente, provocaria enchentes no Vale das Garças, próximo ao distrito de Barão Geraldo.

Outras intervenções viáveis contemplam a implantação de ‘piscininhas’ em edificações, a exemplo do estabelecido por lei recentemente na Capital. Esses sistemas de macrodrenagem (como canalização de córregos e grandes reservatórios de retenção e detenção) e de microdrenagem (como as bocas de lobo em guias e sarjetas) ajudam na drenagem urbana, reduzindo a sobrecarga do sistema público de esgoto. “Funciona como um amortecedor de vazão”, afirma Zuffo. O engenheiro pede ainda que novas edificações priorizem arquiteturas com telhados amplos, tanto quanto a instalação de jardins no alto dos condomínios. Ambas as medidas, poderiam melhorar a infiltração de água.

Além disso, o professor da Unicamp entende que o Executivo deveria focar no aumento de solos permeáveis em parques e áreas que permitam a utilização do recurso. “Alguns pavimentos seriam trocados, criando trincheiras de infiltrações, principalmente nas áreas altas da cidade”, disse.

Tudo, de acordo com Zuffo, requer um amplo estudo, colaboração da sociedade civil e pode ser realizado a médio e longo prazo.

Escrito por:

Daniel de Camargo/AAN


Fonte: RAC

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