Levantamento realizado pelo Laboratório DMS Burnier mostra que o setor de comércio — que tem o maior contato com o público — é o que menos faz a testagem para diagnóstico da Covid-19. A pesquisa aponta que dos 1.844 exames realizados nos últimos dias pela rede, 1.220 — o equivalente a 66% — foram feitos por trabalhadores empregados pela indústria, enquanto que os estabelecimentos comerciais foram responsáveis por apenas 624 exames — o equivalente a 36% do total. O estudo avaliou os pedidos de 69 empresas industriais e 36 ligadas ao comércio. As coletas ocorreram nas unidades do grupo, presente em sete cidades — Campinas, Hortolândia, Monte Mor, Paulínia, Sumaré, Valinhos e Vinhedo —, todas da Região Metropolitana de Campinas (RMC).

Com a flexibilização de atividades econômicas, o comércio de rua e os shoppings reabriram suas portas no último dia 27. Médica patologista do DMS Burnier, Juliana Costa considera uma medida importante a testagem de trabalhadores que lidam com atendimento presencial.

Ela argumenta que saber se estão contaminados — além da obediência aos protocolos adotados, como o uso obrigatório de máscaras e manutenção de distanciamento entre clientes — ajudará a evitar uma eventual nova alta na curva de contágio. Se infectados, ressalta a especialista, esses trabalhadores podem transmitir o vírus para colegas de trabalho ou clientes.

Juliana Costa lembra que o aumento de casos confirmados pode refletir numa maior ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), fazendo a região retroceder para a fase vermelha — a mais restritiva em que só os serviços essenciais podem funcionar.

A médica destaca que os trabalhadores do comércio têm contato com maior número de pessoas, na comparação, por exemplo, com os que atuam em escritórios ou em indústrias. “Essa transmissibilidade pode ser minimizada com o distanciamento, medidas de higiene, entre outros”, aconselha. Porém, entende que para a retomada segura das atividades, o ideal seria cada funcionário obter dois resultados negativos do exame tipo PCR, com intervalo de cinco dias. Contudo, enfatiza que o custo, em média, superior a R$ 300 é uma barreira. Juliana encerra recordando que não existe ainda uma recomendação formal dos ministérios da Economia ou Saúde.

Testes

Destinado a pacientes que apresentam sintomas da doença, o RT-PCR identifica o vírus no período em que está ativo no organismo, tornando possível aplicar a conduta médica apropriada: internação, isolamento social ou outro procedimento pertinente para o caso em questão.

É considerado o padrão-ouro no diagnóstico da Covid-19. Sua confirmação é obtida por meio da detecção do RNA (da molécula) do SARS-CoV-2 na amostra analisada. Realizado mediante solicitação médica, o teste PCR é feito com material coletado da raspagem nasal ou da orofaringe. A coleta pode ser realizada a partir do primeiro dia após o início dos sintomas até o décimo dia. Isso porque passado esse período, a quantidade de RNA tende a diminuir. 

Escrito por:

Daniel de Camargo

Leia também

Menino é atropelado por moto em Hortolândia e socorrido em estado grave ao HC da Unicamp

LEIA TAMBÉM Menino é atropelado por moto em Hortolândia e socorrido em estado grave ao HC …