A 2ª Vara Judicial de Hortolândia (SP) aceitou a denúncia do Ministério Público contra Cássio Martins Camilo, padrasto da criança Maria Clara Calixto Nascimento, pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Com isso, ele passa a ser réu em processo criminal e tem dez dias para apresentar a defesa prévia, por escrito, contados a partir da notificação.

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O caso ocorreu em dezembro do ano passado e o corpo da menina de 5 anos foi encontrado dentro de uma caixa de papelão, com sinais de estrangulamento. O crime provocou revolta em moradores da cidade e, de acordo com a Polícia Civil, o acusado confessou todas as ações após ser preso.

Na ação, a promotoria destaca que o homicídio é qualificado pelos seguintes motivos:

  • foi praticado com emprego de meio cruel, uma vez que o acusado espancou a criança antes de matá-la, deixando-a inconsciente e tapou a boca da vítima com uma fita adesiva; além disso, houve asfixia, pois o denunciado teria esganado a menina até que ela morresse;
  • foi praticado para assegurar a ocultação e a impunidade do prévio crime de estupro;
  • foi praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino (feminicídio);

O G1 não conseguiu localizar o advogado do acusado até esta publicação. A denúncia foi aceita pelo juiz André Forato Anhê em 13 de janeiro.

Corpo de Maria Clara Calixto Nascimento foi achado em caixa de papelão — Foto: Reprodução / EPTV

Apurações

O corpo de Maria Clara Calixto Nascimento foi achado em um terreno no Jardim São Felipe. Ela despareceu em 17 de dezembro quando, segundo a família, saiu para brincar na casa de uma vizinha. A mãe dela, uma auxiliar de produção de 25 anos, chegou para almoçar e questionou o companheiro sobre a localização da garota. Na ocasião, ele alegou que dormiu e não viu ela sair.

A partir disso, a família começou a procurar a criança e registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Hortolândia. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), o padrasto foi localizado em Campinas (SP) em 18 de dezembro e levado à delegacia, onde confessou o crime.

O homem, que já tem passagem pela polícia por estupro, chegou a prestar um depoimento onde negou inicialmente saber nada sobre o paradeiro de Maria Clara. Em seguida, ele se abrigou na casa de parentes em Monte Mor (SP), antes de tentar fugir para Campinas.

A garota foi encontrada próximo à residência dela, no bairro Vila Real, por familiares e amigos, que mantiveram a procura. A mãe da criança retirou o corpo da filha pelas próprias mãos e levou até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Nova Hortolândia, onde chegou sem vida.

“Esse indivíduo foi localizado, foi trazido até as nossas dependências e aqui ele confessou a prática do delito, onde ele teria estuprado a criança e posteriormente a matado”, destacou na ocasião o delegado João Jorge Ferreira da Silva.

Confusão na porta da delegacia

Após a prisão do padrasto, o clima ficou tenso no entorno da delegacia. Parentes e amigos da família da vítima foram até o local para tentar ver o suspeito. Além de xingamentos e gritos, bombas de fumaça foram jogadas na área interna do imóvel e pneus foram queimados na rua.

PM foi acionada para conversar com moradores de Hortolândia — Foto: Reprodução / EPTV

Moradores queimaram pneus em Hortolândia — Foto: Reprodução / EPTV

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