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Pacientes com Covid-19 que precisam de hemodiálise aguardam transferência em Hortolândia
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Internados no Hospital Municipal Mário Covas, em Hortolândia (SP), pacientes diagnosticados com Covid-19 e que enfrentam um quadro de insuficiência renal aguda esperam por transferências para Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) que ofereçam hemodiálise.

Angustiadas, as famílias de Faina Maria Vicente, de 60 anos, e Elias Nunes, de 68 anos, afirmam que a situação é crítica e os pacientes podem morrer a qualquer momento. Apesar da urgência, os hospitais da região estão superlotados e sem leitos de UTI Covid vagos e, por isso, não há previsão de transferência.

Segundo alerta a médica nefrologista do Hospital PUC-Campinas, Josiane Mendes, nos casos em que há insuficiência renal, a hemodiálise é um procedimento que não pode ser adiado. Para pacientes em estado grave, o prazo máximo de espera é de 72 horas.

“Quando os rins não estão funcionando corretamente, esse paciente tem um risco maior de morte e isso pode acontecer em poucos dias por conta de acúmulo de líquido e toxinas no organismo, que vão acabar causando vários problemas em vários órgãos, principalmente no coração, causando arritmia, parada cardíaca e óbito”, explica.

Fachada do Hospital Municipal Mário Covas, em Hortolândia — Foto: Reprodução/EPTV

Pedido de liminar

A nora de Faina, Ana Costa, conta que o primeiro atendimento feito à sogra foi na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Hortolândia. À época, Faina, que é hipertensa e diabética, chegou a gravar um vídeo tranquilizando a família.

A situação da idosa, porém, se agravou e ela precisou ser transferida para a UTI do Hospital Mário Covas, onde está intubada em estado gravíssimo desde 27 de fevereiro. “Ela está muito inchada, os rins não funcionam mais, ela precisa urgente de tratamento com hemodiálise, e o processo é muito grave”, afirma a nora.

“Não tinha o que fazer mais, então recorremos à Justiça, entramos com um pedido de liminar e está na mesa da juíza, porém não foi decretado ainda. Se tivesse uma máquina, um suporte da prefeitura… não é só ela que está nessa situação”, conta Ana Costa.

Ana Costa, nora da paciente Faina Maria Vicente — Foto: Reprodução/EPTV

”É um desespero’

Assim como a família de Faina, a nora de Elias Nunes afirma que também irá contratar advogados para tentar garantir a transferência do sogro. “O médico já falou que ele precisa com urgência ser transferido para um hospital que tenha UTI, para fazer essa hemodiálise, porque se não vai vir a óbito a qualquer momento”, afirma.

“Gente, é um desespero. A gente nem dorme porque a gente pode receber a notícia. Não dorme. [A gente] não merece isso”, desabafa Thamires Silva Barreiro Nunes.

O que dizem a prefeitura e o estado?

À EPTV, afiliada da TV Globo, a prefeitura de Hortolândia destacou que, em casos como os de Faina e Elias, a responsabilidade pela transferência é do governo estadual, que gerencia as vagas por meio da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross).

Já o estado informou, em nota, que está monitorando os casos dos dois pacientes para auxiliar no processo de transferência, mas não deu um prazo para que isso aconteça. Além disso, informou que a Cross é responsável por mediar os pedidos, mas não pela criação de vagas.

“Todo pedido de transferência é priorizado conforme o grau de urgência e monitorado por profissionais da Cross, considerando locais com disponibilidade e capacidade para atender cada caso, priorizando os pacientes mais graves e urgentes e que possuam condição clínica adequada, como quadro estável e livre de infecções”, finaliza o texto.

Pacientes aguardam por hemodiálise em hospital municipal de Hortolândia — Foto: Reprodução/EPTV

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