A Repórter Brasil enviou para as seis farmacêuticas que fabricam cloroquina ou hidroxicloroquina no Brasil a seguinte pergunta: “A empresa recomenda o remédio para o tratamento da covid-19?”. Confira abaixo, na íntegra, as respostas que recebemos.

“A Apsen Farmacêutica produz a hidroxicloroquina no Brasil há 18 anos, com foco no tratamento de pacientes crônicos com lúpus e artrite reumatoide.

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Desde o início da pandemia, quando a hidroxicloroquina passou a ser considerada como possível tratamento para Covid-19, muitas pesquisas e testes clínicos foram conduzidos em todo o mundo com objetivo de averiguar se a droga poderia ser uma opção para tratar a Covid-19. No Brasil, a Apsen acompanhou de perto todas as atualizações científicas visando colaborar com a sociedade para encontrarmos as melhores soluções de saúde para esse momento desafiador.

Neste ínterim, o foco da companhia foi organizar a logística e prover o medicamento aos pacientes crônicos, em uso contínuo do medicamento, para que não ficassem desassistidos, reforçando a recomendação do uso de Reuquinol apenas para as indicações aprovadas pela Anvisa e previstas em bula. Temos essa indicação registrada, inclusive, em publicação nas redes sociais da companhia, em 03/2020.

Reiteramos que, desde o início, o posicionamento da Apsen é um só: a recomendação de utilização da hidroxicloroquina apenas nas indicações previstas em bula, as quais são aprovadas pela Anvisa. Reforçando que não há aprovação de nenhum órgão regulador da saúde, nem da OMS, para sua utilização no tratamento da Covid-19.”

“Diversos medicamentos têm sido ou já foram testados como alternativas terapêuticas, incluindo a cloroquina e seu análogo farmacológico, a hidroxicloroquina. No entanto, os estudos publicados até o momento não foram capazes de gerar evidências científicas que comprovem a eficácia desses ou de outros fármacos no tratamento da Covid-19. A Fiocruz vem atuando em diversas frentes na pandemia e entende que a recomendação de qualquer fármaco deve vir acompanhada de evidências e bases científicas sólidas sobre seus benefícios no enfrentamento da doença.

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) produz o medicamento cloroquina 150mg para atendimento ao Programa Nacional de Prevenção e Controle da Malária, há quase 20 anos, com as indicações de uso descrita na bula e aprovadas pela Anvisa, seguindo os usos clínicos descritos na literatura para cada doença.”

“O Centro de Comunicação Social do Exército informa que o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx) é um órgão executor. Assim, não é da sua competência atuar no processo decisório sobre:

a. ampliação ou redução de produção de medicamentos;

b. eficácia ou posologia de fármacos; e

c. definição de quantidades e/ou unidades da federação que receberão os medicamentos produzidos.

Especificamente em relação à cloroquina, destaca-se que as quantidades produzidas foram distribuídas de acordo com as solicitações dos Ministérios da Saúde e da Defesa”.

“A EMS orienta que a hidroxicloroquina, medicamento produzido pela empresa desde setembro de 2019 para tratamento de malária, artrite reumatoide e lúpus, seja utilizada conforme as indicações da bula, sob prescrição médica. Esses profissionais são os únicos habilitados a prescrever o uso adequado, seguindo os protocolos de medicina. Como uma das fabricantes desse e de muitos outros produtos no Brasil,  a empresa mantém a sua missão de sempre cuidar de pessoas com grande responsabilidade.

Em relação aos dados financeiros da EMS sobre o sulfato de hidroxicloroquina, o medicamento faturou R$ 20,9 milhões em 2020, representando 0,5% do faturamento total do laboratório no ano.

Sobre empréstimos do BNDES, a empresa obteve, em 2020, financiamento para construção de uma nova fábrica de oncológicos injetáveis, expansão de linhas de embalagem de medicamentos sólidos e reconstrução do almoxarifado em seu complexo fabril de Hortolândia (SP). O enquadramento dos projetos e a solicitação de empréstimo foram feitos em 2019, com contrato assinado em fevereiro do ano passado. A empresa esclarece que nenhum pedido teve relação com a produção de sulfato de hidroxicloroquina.”

“O Quinacris, nome comercial do medicamento formulado com o princípio ativo cloroquina fabricado pelo laboratório Cristália, é recomendado, conforme a bula registrada na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para as seguintes finalidades: tratamento de ataques agudos de malária devido ao Plasmodium vivax, Plasmodium malariae, Plasmodium ovale e cepas suscetíveis de Plasmodium falciparum. É também indicado na amebíase hepática, lúpus eritematoso sistêmico e lúpus discoide e artrite reumatoide.

O Cristália ressalta que o Quinacris não é comercializado em farmácias e drogarias. O medicamento é fornecido unicamente ao SUS e hospitais particulares em caixas com apresentação hospitalar, de 200 comprimidos. A venda é feita sob prescrição médica.

As bulas do Quinacris para profissionais de saúde e pacientes podem ser conferidas no link abaixo. Qualquer recomendação fora das especificadas na bula deve ser feita sob responsabilidade do médico, como ocorre com qualquer medicamento.

https://www.cristalia.com.br/produto/comprimido-revestido-150-mg”.

“A Sanofi está comprometida em ajudar os países a enfrentar a pandemia provocada pela covid-19.

Hoje, os medicamentos à base de hidroxicloroquina da Sanofi (Plaquinol®) são oficialmente registrados em mais de 60 países para uso em algumas doenças dermatológicas e reumatológicas, assim como para malária e lúpus, em alguns países como o Brasil.

Atualmente, as indicações aprovadas de Plaquinol® não incluem o tratamento ou prevenção de covid-19 em nenhum lugar do mundo.

A prioridade da Sanofi é garantir o fornecimento contínuo de Plaquinol® para pacientes tratados sob as indicações aprovadas pelas autoridades regulatórias atualmente.”

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