A secretária-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores Domésticos (Fenatrad), Creusa Maria Oliveira, comparou a fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, com a de uma senhor de engenho, nome dado aos donos de escravos no Brasil colonial.

Segundo ela, as declarações do ministro revelam um pensamento preconceituoso e discriminatório. Ela diz, porém, que não lhe causa surpresa, já que ela entende a sua administração como uma “condução da economia voltada para a precarização do trabalho”.

“Não fiquei surpresa com as declarações dele porque revelam o pensamento preconceituoso e discriminatório com o qual o governo trata não só os trabalhadores domésticos, mas também os servidores públicos. É uma total falta de respeito com a classe trabalhadora, com os negros, com os índios”, disse Creusa Oliveira, que também é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos da Bahia.

Creusa considerou ainda que a fala do ministro desqualifica a própria gestão dele da economia. “Se a economia estivesse indo bem, quem sabe as empregadas não estariam indo à Disney com as famílias para quem elas trabalham? Pelas condições de vida das domésticas no Brasil, quando elas viajavam com os patrões, era para olhar os filhos destas famílias”, ponderou.

Guedes afirmou que dólar um pouco mais alto é bom para todo mundo. Ao mencionar períodos em que o real esteve mais valorizado, disse que empregadas domésticas estavam indo para a Disney, em o que classificou como “uma festa danada”.

“Não tem negócio de câmbio a R$ 1,80. Vamos importar menos, fazer substituição de importações, turismo. [Era] todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para a Disneylândia, uma festa danada”, disse o ministro, ao comentar na quarta-feira (12/02/2020), os altos patamares atingidos pelo dólar ante o real.

A moeda norte-americana atingiu R$ 4,35 no fechamento da última quarta-feira (12/02/2020), novo recorde nominal. Foi o quinto pregão seguido de alta. Em 2020, a moeda acumula valorização d e 8,4% ante o real.

Creusa Oliveira cobrou mais respeito do ministro em relação à classe trabalhadora que, segundo dados da Fenatrad, reúne 8 milhões de profissionais no Brasil.

“Trata-se de uma classe trabalhadora que reúne 8 milhões de pessoas e que contribui com a economia nacional e internacional. O próprio Guedes deve ter uma empregada doméstica em casa que garante a ele roupa lavada, comida feitinha, e todas as condições para ele de sair para trabalhar. Ela é uma profissional que merece todo respeito por isso”, disse.

Ódio
Em nota divulgada após a fala do ministro, a presidente da Fenatrad, Luiza Batista repudiou as declarações.

“Trata-se de uma declaração extremamente preconceituosa e infeliz. Como um representante do alto escalão do Governo Federal pode emitir uma fala discriminatória contra uma classe tão importante para a sociedade? As domésticas contribuem para a economia mundial. São representantes da classe trabalhadora, e que tem direito de gastar seu dinheiro como desejar”, disse a presidente da entidade.

Segundo ela, o governo Bolsonaro demonstra que odeia o Brasil e os trabalhadores deste país e que o aumento do desemprego o trabalho da categoria das domesticas está cada dia mais precarizado. “Muitas perderam seus locais de trabalho, precisando fazer diária para sobreviver”, disse.

“O ministro Paulo Guedes precisa respeitar os trabalhadores brasileiros e olhar com respeito e dignidade as trabalhadoras domésticas”, protestou.

Fonte: Metropoles

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