O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) minimizou, em entrevista exibida na noite desta segunda-feira (02/12/2019) pela TV Record, as menções feitas pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), seu filho, e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre o AI-5.

“Entendo isso como liberdade de expressão. Nada mais além disso. O fato de citar o AI-5, que existia na Constituição passada, eu não vejo nada de mais.O Paulo Guedes e o Eduardo falaram em um contexto de [se] descambar o Brasil, não para movimentos sociais reivindicatórios, mas para algo parecido com terrorismo”, disse.

Em uma entrevista coletiva em viagem aos Estados Unidos no fim de novembro, o ministro falou sobre a possibilidade de convocação de um AI-5 como consequência de uma eventual radicalização nas ruas alegadamente incentivada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, principal opositor de Bolsonaro, que defende manifestações populares contra o governo.

“Quando o outro lado ganha, com dez meses você já chama todo mundo pra quebrar a rua? Que responsabilidade é essa? Não se assustem então se alguém pedir o AI-5”, disse.

Bolsonaro afirmou que foi pressionado a demitir Guedes depois que a fala veio à tona. “No meu entender, poderiam ter falado outra expressão e não o AI-5, mas não vejo porque tanta pressão por causa dos dois por causa disso daí”, disse. “Pediram até a cabeça do Paulo Guedes para mim”, disse.

O presidente avaliou que a tentativa de prejudicar o ministro teria como desestabilizar o governo. “Os que pedem a cabeça do Paulo Guedes é no sentido de desestruturar a área econômica”, insistiu.

Jair Bolsonaro negou que tenha intenção de diminuir direitos e garantias individuais por meio de medidas antidemocráticas. “Para cassar direitos, tem que passar pelo parlamento”, afirmou.

Guedes foi denunciado pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES) à Comissão de Ética Pública da Presidência da República. O parlamentar pede que o ministro seja investigado por atentar contra o Código de Ética da Alta Administração Federal e contra a Constituição Federal.

Eduardo está sendo investigado pela Comissão de Ética da Câmara por uma fala sobre a possibilidade de instituição de um “novo AI-5” durante uma entrevista à jornalista Leda Nagle, em outubro deste ano.

Fonte: Metrópoles

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