Com funcionários em greve há 17 dias, a Petrobras resolveu cortar o ponto e contratar substitutos para quem está de braços cruzados – embora a empresa negue risco à produção. De acordo com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), pelo menos 20 mil trabalhadores dos 73 mil contratados estão parados. A adesão é grande em locais como as unidades da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, onde os operários de 35 das 39 plataformas de extração de óleo no mar pararam de trabalhar.

A estatal informou que “está realizando o desconto dos dias não trabalhados dos empregados que aderiram ao movimento grevista” e que “está contratando empresas com experiência na operação e manutenção de unidades de produção de petróleo e gás offshore, para suprimento de mão de obra especializada e certificada para atuar em suas plataformas próprias enquanto durar o movimento grevista”.

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O sindicalista Deyvid Bacelar, diretor da FUP, avalia que as duas atitudes são ilegais e afirma que vai à Justiça para tentar reverter as ações. “A gestão da Petrobras atua com truculência, cortando salário antes de terminar o movimento grevista e contratando substitutos para funcionários que estão exercendo o direito constitucional de fazer greve”, afirma o líder sindical.

“Faço também um alerta sobre a segurança. Essas pessoas que estão sendo contratadas, ainda que sejam qualificadas, não conhecem as instalações. Há risco para as pessoas, para o patrimônio da empresa e para o meio ambiente”, afirma ainda o sindicalista.

De acordo com a FUP, a duração da greve já ameaça o processamento e distribuição de combustível pelo país. Esse cenário, porém, não é assumido pela empresa nem pelo diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Décio Oddone, que afirmou na sexta (14/02/2020) que “não existe indicação de anormalidade” no abastecimento de combustíveis.

A pauta
A greve começou após a Petrobras anunciar o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Araucária, no Paraná, e a demissão dos mil funcionários que atuavam no local. Eles estão acampados há 24 dias na porta da fábrica e, nesta sexta, queimaram as convocações que receberam com os avisos de demissão, em um ato simbólico (imagem em destaque).

De acordo com os grevistas, a empresa se nega a negociar com a categoria e uma solução para o impasse só deverá vir da Justiça.

Até o fim desta semana, a greve já afetava 116 unidades da Petrobras, em 13 unidades da federação.

Fonte: Metropoles

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