Leandro Ferreira/AAN

João Doria explicou que a implantação do Trem Intercidades virá de uma parceria público-privada

O governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), reafirmou ontem que o Trem Intercidades (TIC) será implantado na Região Metropolitana de Campinas (RMC), mas não deu prazo de quando isso deve acontecer efetivamente.

Questionado sobre o trecho da ferrovia em Americana, que está sob a concessão da Rumo, que não tem demonstrado interesse em disponibilizá-lo para o transporte de passageiros, Doria disse que “a Rumo vai ter que tomar o rumo e vai seguir a mesma linha do governo”. A declaração foi feita durante evento de entrega da obra de duas Unidades Básicas de Saúde (UBS) em Indaiatuba.

O governo do Estado deve lançar um chamamento público, ainda este ano, para manifestação de interesse do setor privado na formação de uma Parceria Público Privada (PPP) para a implantação do Trem Intercidades, entre Americana e São Paulo, passando também por Campinas e Jundiaí.

Ainda em janeiro, o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, informou que técnicos da secretaria e do Ministério de Infraestrutura se reuniriam em São Paulo para começar a definir um cronograma de implantação do projeto. O cronograma deveria ter sido divulgado no mês passado. Mas isso não ocorreu.

Doria foi questionado pelo Correio sobre prazos, mas evitou se comprometer. “O pé continua acelerado. Não houve nenhum recuo. Nós assinamos, inclusive, com o Governo Federal, com o Ministério da Infraestrutura, um convênio para a implantação dos dois trens intercidades. O que vem para a Região Metropolitana de Campinas, estendido até Americana, e o segundo que é no Vale do Paraíba. Não houve nenhuma retração”, afirmou.

No entanto, a Rumo, que administra o trecho ferroviário no Interior, já tem avaliação de que Americana não comporta tráfego adicional de trens na linha que corta a cidade. “Eu não tenho essa informação da Rumo. Ademais, essa é uma decisão nossa. Se a nossa decisão for essa, a Rumo vai ter que tomar o rumo e vai seguir a mesma linha do governo”, declarou o governador.

“Não será a Rumo ou qualquer outra empresa que vai determinar ao governo o que ele pode ou não fazer. Nem a velocidade do que temos que fazer. Eles serão parceiros, eu tenho absoluta certeza disso”, completou Doria.

Ele fez questão de reafirmar que o projeto será implantado. “O programa, ao ser implantado, será com recursos privados. Investimento privado. Inclusive, o ferroanel que nós também anunciamos e vamos colocar em prática. Essa é uma decisão de governo. Nesses quatro anos como governador de São Paulo eu registro aqui mais uma vez que o programa do Trem Intercidades para a Região Metropolitana de Campinas será implantado”, afirmou.

Em nota, nesse sábado (23), a Rumo informou que já foi assinado um termo de compromisso entre a concessionária e o governo do Estado quanto à utilização do trecho entre Jundiaí e Campinas, que tem maior vocação para o transporte de passageiros (por ser contíguo ao trecho da CPTM e também por ter o maior contingente populacional). “O referido trecho tem pequeno tráfego de cargas e pode ser compartilhado”, informou.

Com relação ao trecho de Americana, a empresa não concorda com o compartilhamento da malha ferroviária. “Em trechos de grande densidade de cargas, o compartilhamento se torna inviável. Nesses casos, o mais adequado seria a construção de uma via exclusiva para passageiros, que ficaria a cargo do Estado ou do futuro operador do trem de passageiros”, ressaltou.

Valores

Estimativas iniciais indicavam necessidade de investimentos de R$ 5,4 bilhões para toda a obra, dos quais R$ 1,8 bilhão deve ser investido pelo Estado. O valor, no entanto, será estabelecido na PPP, com base em estudos do Banco Mundial (Bird).

O Banco Mundial sinalizou que poderá atuar como parceiro do governo paulista com recursos não reembolsáveis tanto no início do projeto quanto no financiamento da implantação do Trem Intercidades.

O secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, determinou que a CPTM já inicie as avaliações das intervenções que precisarão ser feitas entre Jundiaí e Americana. O banco, segundo ele, apresentou estudo de algumas modelagens (técnica, jurídica, econômico-financeira) para viabilizar a implantação do TIC e o governo, informou, escolherá a que for mais rápida, menos burocrática e mais benéfica aos usuários. A utilização dos trilhos já existentes vai pular etapas. “Se tivéssemos que construir uma nova ferrovia precisaríamos de licenciamento ambiental, de desapropriações”, afirmou.

Indaiatuba

O governador esteve em Indaiatuba para a entrega das Unidades Básicas de Saúde do Jardim Carlos Augusto Camargo Andrade e Jardim Maritacas. As unidades fazem parte do Programa Saúde em Ação, parceria da Secretaria de Estado da Saúde com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Cada unidade recebeu R$ 3,6 milhões e conta com seis consultórios (um deles odontológico), sala de vacina e inalação, medicações e espaço para atividades coletivas.

Escrito por:

Francisco Lima Neto

Fonte: RAC

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